Houve um tempo em que Camocim pulsava ao ritmo do mundo. No passado de ouro, o Rio Coreaú era caminho de grandes navios cargueiros. Por suas águas, a economia da cidade navegava: mercadorias, sonhos, futuro. O porto era força, era trabalho, era esperança ancorada.
Hoje, o rio segue seu curso — diferente, mas ainda vivo. Balsas cruzam levando turistas rumo a Jericoacoara, olhos curiosos, câmeras atentas, corações abertos para o novo.
O homem do mar continua ali, fiel ao amanhecer e ao entardecer, em seus barcos simples, quase anônimos, fazendo da pesca diária um ato de resistência e tradição. É ele quem conhece o rio em silêncio, quem lê o vento, quem respeita a lua.
Uma vez ao mês, no verão, nasce o Sax ao Luar. Quando a balsa singra, a magia acontece. O sax ecoa suave, profundo, emocionante — e o tempo parece desacelerar.
Rodrigo Santos, jovem talento de Camocim, carrega no sopro do sax uma paixão antiga, nascida ainda na infância. Seu som não é apenas técnica: é sentimento. Ele encanta quem está na orla, toca quem passa, e transforma o rio em palco, a lua em luz cênica, em sua perfeição divina.
A música faz viajar sem sair do lugar. Emociona o turista. Abraça o morador. Reconecta Camocim com sua essência: uma cidade de encontros — entre passado e presente, entre trabalho e contemplação, entre água, lua e som.
Camocim tem encantos. Tem talentos.
Tem belezas que não gritam — sussurram.
Você é convidado a viver isso. A passar suas próximas férias aqui. A caminhar pela orla, observar o homem do mar, sentir a brisa suavemente tocar seu rosto, e, quem sabe, sob uma lua cheia, colecionar memórias inesquecíveis ao som de um sax que canta com o rio.
Ayla Sousa

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